Aos 73 anos de idade, lá vem o Tio da Pimenta sobre a bicicleta Monark ano 61 e sua caixinha com os molhos sistemicamente alocados na garupa da magrela. Com uma rota própria para cada dia da semana, o Sr. Alexandre Corazza é a atração das noites araçatubenses junto ao seu produto carinhosamente confeccionado pelas próprias mãos.
Quando chega nos restaurantes e lanchonetes, logo os fregueses já levantam a mão e desta vez não é para o garçom, e sim para ele, que já estava sendo esperado. Na caixinha, os diferentes tipos de temperos impressiona quem adquire pela primeira vez e enche de mais vontade os que já conhecem a fama.
“O meu nome eu até esqueci. Hoje quando chego nos lugares, o que mais escuto é: O tio da pimenta chegou”
A parada é rápida e quem bobear, perde o fornecedor, que logo segue para seu próximo destino. Bares, restaurantes e lanchonetes estão na rota deste velhinho que encanta com seu carisma e enobrece o tempero dos mais variados estilos de pratos: da feijoada ao camarão e do feijão tropeiro á mais especial das receitas de família.
“Comecei vendendo em uma caixinha de papelão e hoje já fiz minha própria caixa de madeira, com repartições para proteger os vidros, mas que também já ficou pequena para tanta venda”, ressalta orgulhoso.
Curitiba e Cuiabá já conhecem a famosa pimenta. Campo Grande e Aquidauana também já viram e Espanha, Angola e Argentina já conhecem aquele vidrinho com o conteúdo vermelho que enche os olhos e requinta o paladar.
Mas de onde vem as pimentas?
A receita é antiga e há 12 anos, como forma de passa tempo, o Sr. Alexandre iniciou a confecção dos potinhos de pimenta. Antigamente se vendia apenas para açougues e a demanda era pequena, apenas 2 vidros por dia: hoje, a média é de 12 vidros/dia.
Tudo começou quando Sr. Alexandre e o irmão tinham pés de pimenta em casa e acabavam por não consumir toda a produção, mas hoje, devido ás dificuldades de cultivo e manejo, não compensa mais ter a plantação, ele já compra o produto colhido, vindo especialmente de Fernandópolis.
Toda quarta feira, como um anônimo na madrugada, lá vai o Tio da Pimenta, sobre sua mesma Monark 61 rumo ao Ceasa para buscar os 12 kg de matéria prima que será utilizada ao longo da semana. Logo nas primeiras horas do dia, antes mesmo do sol raiar ele já está de volta, com o precioso produto em mãos para iniciar o ritual que mais gosta: montar os recipientes com molhos.
Uma a uma elas são cuidadosamente lavadas e os cabinhos retirados. Depois são cortadas milimétricamente em rodelinhas e assim, retirada 70% das sementes, pois são elas as responsáveis pela ardência. Neste momento o cheiro da Dedo de Moça toma conta do ar.
Com os vidros, devidamente esterilizados, as pimentas são aconchegadas no recipiente, temperadas e lacradas para logo mais, à noite, serem degustadas pelos clientes e quem sabe, viajar para os mais variados cantos do mundo.